quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BRENDA


Tudo começou quando eu tinha apenas dezesseis anos, e conheci um homem trinta anos mais velho do que eu. Ele tinha quarenta e seis. Quando completei dezessete e ele quarenta e sete anos, nos casamos, em 15 de julho de 2000. E, por motivos que desconhecemos, não consegui engravidar. Fiz todos os exames, e não foi encontrado problema algum, mas grande era o meu desejo de ser mãe.


            Após cinco anos, surgiu o desejo de adotar uma criança, motivo pelo qual eu entrei na fila de adoção da minha cidade. Passado algum tempo, minha prima de Limeira veio ficar um final de semana em minha casa, e eu comentei com ela sobre o desejo de adotar. Algum tempo depois, minha prima foi internada, para fazer uma cirurgia e, no mesmo quarto do hospital que ela estava, tinha uma mulher japonesa, gestante de 6 meses, se tratando de infecção de urina. Aquela japonesa, conversando com a minha prima, comentou que estava gestante de uma menina e que não iria ficar com a criança, que iria dá-la e, em seguida, iria embora. O fato é que minha prima já conhecia aquela japonesa; quando crianças, já haviam morado próximas.
      

Quando minha prima teve alta, ela me ligou e contou a historia. Eu fui para Limeira, com o meu esposo e, lá minha prima levou-me até a casa da tal japonesa. Chegando lá, ela saiu para nos atender, já sem barriga.

Contou-nos que já tinha ganhado a bebê, e que a criança se encontrava internada, na UTI neonatal, porque tinha nascido prematura de 7 meses, e já se encontrava com 7 dias de vida. Ela nasceu em 25 de agosto de 2006. A irmã da japonesa, tia da criança, nos contou que a menina tinha nascido em casa, no banheiro, e a mãe da criança tinha, ela mesma, cortado o cordão umbilical e deixado a nenê jogada no chão, nua, do jeito que veio ao mundo, sangrando pelo cordão umbilical. Quando, mais tarde, o companheiro dela e suposto pai da criança chegou, encontrou a criança naquela situação. Chamou o resgate, e a criança foi levada para o hospital.

            Após este relato da tia, fomos direto para o hospital. Chegando lá, falei que era tia da criança e consegui entrar e vê-la. Foi assim, por um mês. Eu e meu esposo arrumamos uma advogada e entramos na Justiça para conseguir a guarda da criança. Nesse meio tempo, levei a japonesa pra registrar a criança e escolhi o nome. Depois deste um mês, descobriram que eu estava tentando adotar a criança e não deixaram eu entrar mais no hospital para vê-la, pois alegaram que eu não podia me apegar a ela porque eu não iria conseguir adotá-la, já que eu era de outra cidade e não era parente. Entrei em desespero porque já tinha aquela criança como minha filha.
    



Passados quinze dias, a criança teve alta e a promotora negou a guarda para mim e para meu esposo. Então, a menina foi encaminhada para um abrigo. Eu e minha prima íamos direto para a frente deste abrigo, cercávamos os funcionários, para ver se alguém dava notícias da nenê para nós, mas ninguém falava nada. Até que, um dia, no finalzinho de dezembro de 2006, fui eu novamente ao abrigo e consegui falar com a assistente social. Pedi informações da criança. Ela nos contou que a nenê se encontrava internada de novo e tinha passado por uma cirurgia na cabeça, e era só o que podia falar. Entrei em desespero, fomos até o hospital de novo, e eu e minha prima entramos escondidas, fomos até a pediatria, olhamos de quarto em quarto, até que, chegando no quarto em  que a menina se encontrava, bati os olhos nela. Apesar de estar maiorzinha e já com quatro meses, eu a reconheci na hora. Ela estava acompanhada de uma monitora do abrigo. Fiquei ali um pouquinho, e fomos embora.

        No outro dia, chegando ao hospital, tentamos entrar, mas não deixaram mais. Só consegui conversar com o médico, e ele nos disse que a criança tinha tido meningite no abrigo e, por causa disto, tinha desenvolvido hidrocefalia, e que o caso dela era muito grave. Ela se encontrava com DVE porque já tinha tido uma rejeição de válvula. Passados alguns dias; não me recordo quantos; no começo de janeiro de 2007, a minha advogada conseguiu uma liminar para eu e meu esposo visitarmos a menina no hospital e disse que ainda iria demorar um pouco para sair a guarda, pois havia o tempo de adaptação, que a juíza exigia. No entanto, não foi assim...

Depois de uma semana, no dia 19 de janeiro de 2007, saiu a guarda da Brenda para mim e para meu esposo. Nossa, nós não nos agüentávamos de tanta alegria... Aí, o assistente social nos contou que ela tinha tido Paralisia Cerebral e Má Formação Cerebral, quando nasceu, que tinha tido Hidrocefalia por causa da meningite, e que nós não éramos obrigados a ficar com a criança, afinal, não seríamos os primeiros nem os últimos a recusá-la, pois, ali em Limeira, ninguém que estava na fila de adoção quis ficar com ela. Eu virei para aquele homem e disse: “Eu pedi tanto a Deus que me desse essa criança e, agora que Ele me deu, eu serei uma covarde, de jogar fora esta bênção que Deus está me dando? Nunca!!! Ela foi, é e sempre será a minha filha”...
     

Ali estava começando uma nova luta em nossas vidas. Continuei com a Brenda no hospital, por quatro meses. Trouxe minha filha para casa, em Dois Córregos, onde eu moro, pela primeira vez. Que alegria!!! Passados cinco dias, ela começou a ter febre e diarréia. Levei-a para o hospital da minha cidade e o pediatra achou melhor levá-la pra Limeira, onde ela se tratava. Chegando lá, colheram o lícor e constatou-se, de novo, a rejeição da válvula. Fiquei ali, novamente, internada com ela, mais três meses. Minha filha teve alta novamente.


Depois de quarenta dias, ela começou a vomitar e só chorava. Levei-a no pediatra. Ele falou que era refluxo e internou-a porque ela estava desidratada. Fiquei com ela internada aqui em Dois Córregos por uma semana. Depois deste tempo, eu tinha retorno em Limeira com o neurologista. Chegando lá, ele constatou que a válvula não estava funcionando. Então, ficamos internadas novamente, e foi feito um ultrassom, do abdome, no qual foi visto um cisto bem na saída do dreno da válvula, tampando a saída do lícor. Foi feita a cirurgia e mudado o catéter de lugar, na barriguinha. Depois de onze dias, ela teve alta e voltamos para casa. Nessa época, ela fez onze cirurgias, teve três paradas cardíacas, perdeu massa encefálica, ficou quatro dias em coma, teve 2 rejeições à válvula, e um total de quase oito meses de internação.
    
  Brenda ficou um tempo bem. Mais de um ano sem precisar internar. Depois, teve algumas internações, por conta de pneumonias, mas sempre com o pulmão carregado. Agora, no ano de 2009, ela começou a ter mais pneumonias, e um problema no esôfago. Começou a parar de comer, e foi internada para fazer endoscopia, mas o médico não conseguiu fazer, e já fez direto a gastrostomia. Ela ganhou peso. No dia 10 de setembro de 2009, levei a Brenda na AACD, onde ela também faz tratamento. Lá, ela começou a ter febre, soltar muita secreção, e ficar muito cansada. A fisioterapeuta respiratória, vendo que ela não estava bem, já a encaminhou para a UTI, para ser examinada. Depois, à noite, já foi transferida pra outro hospital do convênio e foi direto pra UTI novamente e ,do jeito que chegou. já teve que ser entubada. Fiquei com ela ali, em São Paulo, na UTI, por vinte e cinco dias, sendo que seis deste dias, entubada.
  
    Ela melhorou e eu pedi transferência para Jaú, cidade vizinha da minha. Com quatro dias de internação na UTI da Santa Casa de Jaú, ela piorou e teve que ser entubada novamente. Os médicos começaram a falar para mim e para o meu esposo que iriam ter que fazer traqueostomia na Brenda, pois ela tem um desvio na
traquéia e não tinha como extubar ela. Ficamos desesperados porque não queríamos, de jeito nenhum, mas não teve jeito. Foi feita a traqueostomia numa sexta feira. Quando foi na segunda, ela já estava fora do respirador, só estava com oxigênio na traqueo. Eu não agüentava mais de vontade de pegar minha filha no colo. Quando fui pegá-la, o peso na mangueira do oxigênio puxou a traqueostomia um pouco para fora. Chamei a enfermeira, ela chamou o médico e tentaram colocar para dentro, mas não conseguiram, pois era muito recente a cirurgia. Mesmo assim, o médico falou que não tinha acontecido nada, mas, quando foi à noite, ela começou a piorar.
    
  A saturação começou a cair, o médico colocou a Brenda no respirador novamente, mas de nada adiantou. A saturação continuou a cair, ela teve um parada respiratória e foi reanimada. O médico teve que tirar a traqueostomia e colocar, no lugar, uma cânula de entubação, no furinho da traqueo. Aí, ela teve pneumotórax bilateral e teve que colocar dreno nos dois lados do pulmão. O médico falou que, mais um pouco, ela não aguentaria, mas graças a Deus, ela foi melhorando. Dali a uma semana, ela foi para cirurgia de novo. Colocou a traqueostomia novamente e ficou mais alguns dias internada, até eu aprender a aspirá-la. No total, foram sessenta e cinco dias de UTI, entre São Paulo e Jaú. Agora ela está voltando a ser como era antes.
    
  No dia 10 de dezembro de 2009, saiu o que eu mais esperava: a adoção da minha filha Brenda Vitória
Ramalho de Sousa. Estou me sentindo a pessoa mais feliz do mundo, estou realizada. Hoje a Brenda está com 3 anos e 5 meses. Não senta, não anda, não fala, e ainda precisa de muitos tratamentos, mas o importante é que mesmo sem ela saber se expressar, nós sabemos que ela é feliz no nosso meio... E nós somos mais felizes ainda por termos a Brenda como filha e toda a família – vó, vô, tia, tio – todos a amam demais. Ela é a criança mais maravilhosa que Deus poderia me dar. Eu me sinto a mãe mais realizada do mundo. Qualquer gesto, uma mínima coisa que ela faz, para mim é tudo, é maravilhoso.
Beijos a todos e fiquem com Deus…

A Brenda é filha de nossa  amiga e companheira da comunidade, Joice Lis
Para encontrá-la na comunidade, acesse o link "http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=3168245&tid=2524266184545505791&na=3&nst=211&nid=3168245-2524266184545505791-5350117671540315809"

10 comentários:

Teresinha disse...

Joyce uma mãe com laços eternos no coração e um amor maior que o mundo pela linda Brenda!! Capaz de tantos gestos bonitos de muita determinação para conseguir trazer a filhinha para junto de seu imenso coração!!! Brenda tenho certeza que você vai superar cada degrauzinho de tua linda caminhada!! Beijos no seu coração.

dicasampaio disse...

A história da Brenda me emociona sempre e sempre... "Escolher" um filho é um ato de amor incondicional digno de poucos... Mas quando se fala em escolher conscientemente alguém com todas as limitações q muitos de nós aqui temos, aí realmente é um gesto sublime... Q Deus continue iluminando a vcs sempre!!!!!!!!!! E q vc consiga postar as fotinhas da Brenda, Joiceeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Um bjo grande!!!!!!!!!!!!!!!

mariney disse...

Isso que e uma licao de vida e superacao
vc e uma vitoriosa e brenda mas ainda parabens pela linda familia !

cleudileny disse...

Que historia linda isso que é liçao de vida vcs duas são umas verdadeiras guerreiras...vcs tem uma bela historia de vida !!!!Parabéns pela familia abençoada que vc tem

Joice Lis disse...

Nossa esse blog ta de mais, maravilhoso, recheado de historias lindas e super emcionantes.
Obrigada pelo capricho e pelo carinho em especial da minha filhota.
Ficou muito linda, ameeeeeeeei.
Obrigada memso de coração.
Bjs...

Erivelto de Moraes disse...

Bom....... agora depois de alguns minutos refletindo..... vou conseguir comentar algo! liga não, é que eu sou pior que criança pra chorar....
O que posso te dizer Joice? Realmente vc é uma campeã, Me emocionei com sua história, tenho certeza que DEUS te recompensará por tudo isto!
E a Brenda! que garotinha linda! Q ue DEUS a proteja sempre! A Brenda conquistou meu coração!
Tudo de bom pra vc e seu marido Joice! e Grande beijão pra Brenda!

Fabiana disse...

Joice se eu ja te admirava, pela dedicação e amor q vc te pela linda Brenda, depois de completamente a historia dela me emocionei muito e passaei admirar ainda mais vcs!!! familia abençoada,guiada por Deus

Juliane disse...

"princesa linda demais, perfeita aos olhos do Pai" parabens Joice, sua atitude é uma liçao de vida, nao deixe que pessoas maldosas abalem seu coraçao...

Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina disse...

JOICE, É MUITO LINDA SUA HISTÓRIA, ME EMOCIONEI.
PARABÉNS PELA MÃEZONA QUE VC É.
PESSOAS QUE COLOCA COMENTÁRIOS MALDOSOS SÃO PESSOAS SEM DEUS NO CORAÇÃO.TE ADMIRO MUITO! BJS!

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