terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ANA JÚLIA

Bem, tudo começou no dia 13 de fevereiro de 2005, quando entrei na internet para olhar o resultado do exame de gravidez e lá estava: positivo! Desde então, nossas vidas mudaram.

Primeiro, foi organizar o casamento, que foi no dia 22/04 e, depois de tudo, o enxoval do bebê.


Com quatro meses de gestação, descobrimos que era uma linda princesa, então começamos a difícil escolha do nome. Só sabíamos que seriam dois nomes e que o primeiro seria Ana. Foram várias idéias, sugestões, mas nenhuma delas tinha dado aquele toque especial. Foi então que, numa tarde, eu estava assistindo ao Jornal Hoje (TV Globo) e passava uma reportagem triste, sobre um acidente que havia acontecido na rodovia da morte (SP-PR), em que o casal havia morrido e, por um verdadeiro milagre, a bebezinha que estava na cadeirinha no banco de trás havia sobrevivido, e o nome dela era Julia.

Aquilo me tocou tanto que, na mesma hora, decidi que o nome da princesa seria Ana Julia. Mal sabia que minha filha também seria um milagre, como ela. Minha gravidez foi a mais tranquila que uma mulher pode desejar, sem enjôos, mal estar, tonturas, realmente eu não sentia nada.


Quando descobri que estava grávida, estava ainda no primeiro mês, então o acompanhamento e o pré-natal foram feitos desde o início. Fiz exames, tomei vacina, vitaminas e sempre, todos os meses, ia pra minha consulta, sem falta. Tudo ia bem, a pressão sempre dava 10x6, no máximo que chegou foi 11x7, mas quando cheguei no sexto mês comecei a inchar. Meus pés pareciam duas bolas de tão inchados, então liguei pra minha médica e ela mandou medir a pressão. Medi e deu 11x7. Quando fui pra consulta, ela ficou impressionada. De um mês para outro, tinha engordado 9 kg e estava ,realmente, muito inchada. Essa consulta foi no dia 02/08/06. A médica mesma mediu a pressão e deu 11x7, então ela me aconselhou a fazer umas seções de drenagem linfática e passou uma ultrassom de rotina. Quando batia a ultrassom, o médico achou que ela estava pequena para a quantidade de semanas – 28 (vinte e oito) semanas – e que ela tinha se desenvolvido pouco, em relação ao mês anterior, e aconselhou-me a bater uma nova ultrassom com Doppler. A partir daí, já comecei a sentir que alguma coisa ia mal.

No mesmo dia, fui à minha médica e peguei a requisição e no dia seguinte, 04/08/06, fiz a ultra com Doppler e foi constatado que, realmente, a neném não estava se desenvolvendo bem. Fiquei desesperada e marquei minha consulta para segunda, dia 07/08/06, mas quando chegou domingo, dia 13/02/06 , comecei a sentir uma leve dor de cabeça, que foi aumentando, aos poucos, e começou a latejar. Então, tomei um Tylenol e a dor não cedia, pelo contrário, só aumentava. Fui à farmácia e medi a pressão. Deu 14x10, liguei para médica e ela mandou comprar Aldomed (remédio para pressão), tomar um comprimido e medir de novo em duas horas. Antes de sair de casa para medir a pressão novamente, tive uma sensação de que tão cedo não voltaria em casa. Quando medi de novo, deu 18x10. Liguei pra Doutora chorando e ela me mandou ir, urgente, para maternidade porque poderia ser que a gravidez precisasse ser interrompida. Fiquei meio anestesiada e fui.

Chegando ao hospital, medi novamente e deu 14x9. Tomei um medicamento na veia e a pressão subiu para 16x12, foi aí que fui internada. Foi a noite inteira e o dia seguinte de medicamentos e a pressão não cedia. A médica pediu alguns exames e foi constatado que a neném estava em sofrimento fetal, pois, com a pressão descontrolada, ela não estava sendo bem oxigenada. Então, no dia 07/08/06, às 17:50 horas, nascia a pequena Ana Julia Bandeira de Melo Rodrigues, com 940 gramas e 33 cm. O parto foi rápido, nem entendia o que estava acontecendo direito, era como se aquilo tudo fosse um pesadelo. Tudo o que sonhei, planejei para o meu parto não estava acontecendo. Eu imaginava que ia ser um dia encantado, com brigas para decidir quem iria bater as fotos, entre meu marido, minha irmã e meu pai. Sempre quis aquela foto que, quando as crianças nascem, tiram ao lado da mãe e não. Nem pude ver minha filha quando nasceu, só lembro da movimentação dos médicos e do silêncio, quando tiraram ela da minha barriga. Depois de uns trinta segundos, foi que ela deu um chorinho fraco e bem baixinho, aí ouvi um médico dizer: “está viva”. Depois, só me lembro de acordar na UTI. Passei três dias lá, sem poder ver minha filha e saber direito como ela estava e se, realmente, estava viva.


Foi aí que começou a outra parte da nossa história, a “UTI neonatal”, um mundo novo e totalmente desconhecido por nós. A primeira vez que vi a Julhinha, foi uma junção de sentimentos inexplicáveis. Tão pequena, tão magrinha, tantos fios, aparelhos, barulhos que iriam fazer parte de nossa rotina. Ela era a menor que tinha lá e a mais grave também. Estava com aqueles óculos de gases para proteger os olhos da luz e eu achava que ela tinha nascido sem olhos e não queriam me contar (nem tive coragem de perguntar).


A médica chegou e disse que ela estava começando uma luta muito grande e que seria muito importante a minha participação para alcançarmos a vitória. Passei uma semana internada, sempre indo vê-la, quando dava saudades, pois não podia ficar direto lá. A pior sensação foi ter que ir pra casa e deixá-la lá sozinha. Aí começou uma história de angústia, medos, incertezas e também de muita fé, esperança e vitória.


Com 15 dias de vida, a Julhinha teve uma infecção muito forte, que quase a levou de nós. Num dia, sai e ela estava bem, com 96o gramas; no outro, quando voltei, ela estava super inchada, com 1120 kg, nem se mexia... A auxiliar, que foi colher o sangue dela, disse que ela não teve nenhuma reação quando foi furada e que isso era não era um bom sinal. No dia seguinte, quando cheguei para visitá-la, escutei o médico dando um diagnóstico muito ruim, de um bebê praticamente desenganado mesmo, e só pedi a Deus que não fosse da Ana Julia, mas infelizmente era, e ele me disse: “Mãezinha, infelizmente não tem muito que fazer. Ela não está reagindo às medicações e a ultima cartada vai ser usar antibióticos de 4ª geração, mas não posso dizer nada... Se quiser um conselho, reze e muito, pois, enquanto há vida, há esperança”.
Senti o mundo desabando na minha cabeça, a pressão subiu de novo, mas cheguei perto da incubadora e vi minha pequena tão frágil... Foi nesse momento que senti a presença de Deus entre nós. Chorei muito na incubadora e pedi a Deus pela vida dela, e a coloquei nos braços de Nossa Senhora ,que é mãe como eu, e viu seu filho morrer na cruz e, quando segurei a mãozinha dela, ela apertou meu dedo com tanta força que tive a certeza de que ela iria vencer aquela batalha. Dois dias depois, ela já estava tão desinchada, que chegou ao seu peso real 830 gramas. Foi aí que a médica se animou e disse que, com certeza, a infecção estava sendo combatida com sucesso. Fizeram uma hemocultura e deu tudo negativo.
Depois dessa batalha vencida, surgiu um soprinho no coração, mal ela tinha vencido a infecção. Foi aí que comecei a entender aquela frase que diz que “todo prematuro é uma caixinha de surpresa”, e como é! No começo, ela não reagia com o medicamento, e ia fazer um Ecocardiograma, mas, no dia seguinte, o sopro já havia diminuído tanto, que a médica achou melhor nem locomovê-la para fazer o exame. Essa foi mais uma vitória. Já estávamos com vinte dias, e seu quadro era estável. Daí, começou mais uma grande luta. Ela não aceitava a alimentação e se alimentava com alimentação parenteral (artificial). Tomava 1 ml de 3/3 horas e deixava resíduos, não se adaptava de forma alguma com o leite. Com 24 dias, tivemos uma vitória muito importante, A Julhinha saiu do respirador e passou para o CPAP. Daí, passou a aceitar a alimentação. Começou com 1 ml e foi aumentando a cada dia. Tudo ia bem, saiu do CPAP e ficou no oxigênio circulante, mantendo bem a saturação. Foi quando os médicos pediram uma ultrasom transfontanelar de rotina e foi constatado que a Ana Julia tinha tido uma hemorragia intra-craniana e que, devido a isso, havia um entupimento nos vasos onde circula o licor, a chamada hidrocefalia, e que seria preciso fazer uma cirurgia para colocar uma válvula. Meu mundo desabou de novo... Ela já estava com 1450 kg, super bem, na UTI semi-intensiva, só engordando para ir pra casa e vi começar o pesadelo novamente... Então, ela foi transferida de hospital, um dos momentos de muita decepção e angústia, pois meu sonho era que, quando ela saísse dali, fosse direto pra casa, mas Deus não quis assim...

Com 44 dias de vida ela fez a cirurgia, que foi um sucesso. Passou mais 17 dias internada para ganhar mais peso e passar o pós-operatório e, depois de 61 dias de internação, a Julia veio pra casa!!!!!!! Um dia mágico, 07/10/06, no dia em que ela fez 02 meses. Foi uma alegria indescritível. Fui buscá-la com minha irmã, ela estava com 1,770 kg .


Quando cheguei em casa, minha família estava toda esperando, com balão, bolo, a maior festa!!!!! Os primeiros dias foram difíceis, tinha muito medo de fazer alguma coisa errada e ela ter que voltar para o hospital, mas tudo correu muito bem. Com 3 (três) meses, começou a estimulação precoce, com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Foi uma luta muito grande e, com 2 anos e uma semana, a Ana Julia começou a andar!! Gente, posso dizer que foi um dos dias mais felizes da minha vida, pois era o meu sonho ver minha princesa caminhando.

Com 2 (dois) anos e cinco meses (janeiro de 2009), começou a escola regular, no Infantil II e, no dia 17/03/2009, tive outro grande susto... A Ana Julia não quis acordar... Tudo que comia, colocava pra fora. Foi então que liguei para o seu neurocirurgião, Doutor Rodrigo Lopes, e este mandou que eu me dirigisse ao hospital com ela. O pior aconteceu: a válvula tinha parado de funcionar... Aí meu Deus, não gosto nem de lembrar aquelas horas seguintes... Avisar a família, amigos, preparação para cirurgia... Mais uma vez, a Ana Julia mostrou o quanto é guerreira. Depois de 2 dias, estávamos em casa e tudo voltou ao normal. A professora dela ia visitá-la em casa e logo ela voltou à escola. No fim do ano letivo, tive a agradável surpresa de receber o resultado anual e saber que ela foi uma das crianças que mais se desenvolveram. Fala tudo e tem uma pronúncia que impressiona a muita gente. Adora cantar, colorir, fazer colagem, ou seja, tudo que uma criança da sua idade gosta de fazer.


Posso dizer que ela é o centro das atenções da nossa família e de alguns amigos. Não dá pra medir o tanto que eu amo minha filha, ela é tudo! Vivo por ela e pra ela e peço a Deus, todos os dias, por sua saúde e pela de todos os prematuros e hidrocefálicos do mundo.
A Ana Julia é filha de nossa amiga Fernanda

12 comentários:

Teresinha disse...

Ana Julia garota de muita garra!!!! Lendo sua historia é como se voltassemos no tempo e nos vissemos ai, na uti , vibrando a cada grama de ganho de peso, cada pequeno gesto, cada olhar....Voce é uma vitoriosa!!!!!!

Elaine disse...

Que linda a Ana Julia! Que delícia ver vitórias assim. Sei que meu Matheus também vai chegar lá!
Bjs
Elaine, mãe do Matheus

Anônimo disse...

Tive o imenso prazer de conhecer desde o início a história desta linda princesa e esta mãe de ouro....Minha filha foi diagnosticada com hidrocefalia quando eu estava no 7º mês de gestação, mas graças a Deus ela nasceu sem nenhum problema...Deus abençõe todos estes bebês e suas mãezinhas....
Beijinhos Veridiana, mãe da Maria Laura (3 anos e 3 meses)

dicasampaio disse...

Agora sim!!!!!!!!!!!!!! A história da Ana Júlia está linda!!!!!!!!!!!!!!! E ela é uma fofíssima... Com a maior carinha de sapeca... Adorei conhecer mais desta bonequinha... Parabéns, Nanda, por toda a garra e determinação... Bjos!!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...
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mariney disse...

Ana Julia linda viu ...
tb ja passei muitos sustos com duda e sei o qto e gratificante ter lutado por ela
continue assim nao desista nunca elas sao nossas vidas sempre

Rosane disse...

Linda a história de vida da Ana Julia!!!!!
Tb ja passei muito....muito..... susto com meu Gabriel
Deus coloca esses anjos!!!! na nossas vidas e devemos agradecer é muito gratificante!!!!!
Parabénssss!!!! tu e a Julinha são vitóriosas!!!!!!bjssss!!!!
Rosane mãe do Gabriel (10 aninhos)

Erivelto de Moraes disse...

Vcs são vencedoras mesmo Fernanda!
Tbm passamos estes sustos já, é muito triste mesmo!
Mas DEUS é muito bom conosco, devemos sempre agradecer mesmo!
É uma história de vitória, parabéns pra vcs!
Sua menina é linda!
Desejo tudo de bom pra vcs!

A vitoria é certa disse...

larissa: ana julia q DEUS continue te abençoando a cada dia q vc continue sendo uma menina forte...
estou gravidaa de 2 meses e meio e oro muito a DEUS para q meu bebê nasce com muita saude...
sua historia nos ajuda a continuar batalhando
para ver nossos filhos bem...
DEUS abençoe vc e sua familia...
em nome de jesus amém..

Rosimely disse...

oi julinha eu estou com muita saudade
tá linda de farda escolar
beijos fica com deus

ROSIMELY PINHEIRO

Suzana Emanuelle Fernandes disse...

Que história incrível! Parabéns pela garra da pequena Julia e pela força de toda família!
Deus os abençoe! Um abraço.

Glauce Keitte disse...

Tava em quanto a dilatação dos ventrículos? Estou em pânico

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