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ANA JÚLIA
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Bem, tudo começou no dia 13 de fevereiro de 2005, quando entrei na internet para olhar o resultado do exame de gravidez e lá estava: positivo! Desde então, nossas vidas mudaram.
Primeiro, foi organizar o casamento, que foi no dia 22/04 e, depois de tudo, o enxoval do bebê.
Depois dessa batalha vencida, surgiu um soprinho no coração, mal ela tinha vencido a infecção. Foi aí que comecei a entender aquela frase que diz que “todo prematuro é uma caixinha de surpresa”, e como é! No começo, ela não reagia com o medicamento, e ia fazer um Ecocardiograma, mas, no dia seguinte, o sopro já havia diminuído tanto, que a médica achou melhor nem locomovê-la para fazer o exame. Essa foi mais uma vitória. Já estávamos com vinte dias, e seu quadro era estável. Daí, começou mais uma grande luta. Ela não aceitava a alimentação e se alimentava com alimentação parenteral (artificial). Tomava 1 ml de 3/3 horas e deixava resíduos, não se adaptava de forma alguma com o leite. Com 24 dias, tivemos uma vitória muito importante, A Julhinha saiu do respirador e passou para o CPAP. Daí, passou a aceitar a alimentação. Começou com 1 ml e foi aumentando a cada dia. Tudo ia bem, saiu do CPAP e ficou no oxigênio circulante, mantendo bem a saturação. Foi quando os médicos pediram uma ultrasom transfontanelar de rotina e foi constatado que a Ana Julia tinha tido uma hemorragia intra-craniana e que, devido a isso, havia um entupimento nos vasos onde circula o licor, a chamada hidrocefalia, e que seria preciso fazer uma cirurgia para colocar uma válvula. Meu mundo desabou de novo... Ela já estava com 1450 kg , super bem, na UTI semi-intensiva, só engordando para ir pra casa e vi começar o pesadelo novamente... Então, ela foi transferida de hospital, um dos momentos de muita decepção e angústia, pois meu sonho era que, quando ela saísse dali, fosse direto pra casa, mas Deus não quis assim...

Primeiro, foi organizar o casamento, que foi no dia 22/04 e, depois de tudo, o enxoval do bebê.
Com quatro meses de gestação, descobrimos que era uma linda princesa, então começamos a difícil escolha do nome. Só sabíamos que seriam dois nomes e que o primeiro seria Ana. Foram várias idéias, sugestões, mas nenhuma delas tinha dado aquele toque especial. Foi então que, numa tarde, eu estava assistindo ao Jornal Hoje (TV Globo) e passava uma reportagem triste, sobre um acidente que havia acontecido na rodovia da morte (SP-PR), em que o casal havia morrido e, por um verdadeiro milagre, a bebezinha que estava na cadeirinha no banco de trás havia sobrevivido, e o nome dela era Julia.
Aquilo me tocou tanto que, na mesma hora, decidi que o nome da princesa seria Ana Julia. Mal sabia que minha filha também seria um milagre, como ela. Minha gravidez foi a mais tranquila que uma mulher pode desejar, sem enjôos, mal estar, tonturas, realmente eu não sentia nada.
Quando descobri que estava grávida, estava ainda no primeiro mês, então o acompanhamento e o pré-natal foram feitos desde o início. Fiz exames, tomei vacina, vitaminas e sempre, todos os meses, ia pra minha consulta, sem falta. Tudo ia bem, a pressão sempre dava 10x6, no máximo que chegou foi 11x7, mas quando cheguei no sexto mês comecei a inchar. Meus pés pareciam duas bolas de tão inchados, então liguei pra minha médica e ela mandou medir a pressão. Medi e deu 11x7. Quando fui pra consulta, ela ficou impressionada. De um mês para outro, tinha engordado 9 kg e estava ,realmente, muito inchada. Essa consulta foi no dia 02/08/06. A médica mesma mediu a pressão e deu 11x7, então ela me aconselhou a fazer umas seções de drenagem linfática e passou uma ultrassom de rotina. Quando batia a ultrassom, o médico achou que ela estava pequena para a quantidade de semanas – 28 (vinte e oito) semanas – e que ela tinha se desenvolvido pouco, em relação ao mês anterior, e aconselhou-me a bater uma nova ultrassom com Doppler. A partir daí, já comecei a sentir que alguma coisa ia mal.
No mesmo dia, fui à minha médica e peguei a requisição e no dia seguinte, 04/08/06, fiz a ultra com Doppler e foi constatado que, realmente, a neném não estava se desenvolvendo bem. Fiquei desesperada e marquei minha consulta para segunda, dia 07/08/06, mas quando chegou domingo, dia 13/02/06 , comecei a sentir uma leve dor de cabeça, que foi aumentando, aos poucos, e começou a latejar. Então, tomei um Tylenol e a dor não cedia, pelo contrário, só aumentava. Fui à farmácia e medi a pressão. Deu 14x10, liguei para médica e ela mandou comprar Aldomed (remédio para pressão), tomar um comprimido e medir de novo em duas horas. Antes de sair de casa para medir a pressão novamente, tive uma sensação de que tão cedo não voltaria em casa. Quando medi de novo, deu 18x10. Liguei pra Doutora chorando e ela me mandou ir, urgente, para maternidade porque poderia ser que a gravidez precisasse ser interrompida. Fiquei meio anestesiada e fui.
Chegando ao hospital, medi novamente e deu 14x9. Tomei um medicamento na veia e a pressão subiu para 16x12, foi aí que fui internada. Foi a noite inteira e o dia seguinte de medicamentos e a pressão não cedia. A médica pediu alguns exames e foi constatado que a neném estava em sofrimento fetal, pois, com a pressão descontrolada, ela não estava sendo bem oxigenada. Então, no dia 07/08/06, às 17:50 horas, nascia a pequena Ana Julia Bandeira de Melo Rodrigues, com 940 gramas e 33 cm . O parto foi rápido, nem entendia o que estava acontecendo direito, era como se aquilo tudo fosse um pesadelo. Tudo o que sonhei, planejei para o meu parto não estava acontecendo. Eu imaginava que ia ser um dia encantado, com brigas para decidir quem iria bater as fotos, entre meu marido, minha irmã e meu pai. Sempre quis aquela foto que, quando as crianças nascem, tiram ao lado da mãe e não. Nem pude ver minha filha quando nasceu, só lembro da movimentação dos médicos e do silêncio, quando tiraram ela da minha barriga. Depois de uns trinta segundos, foi que ela deu um chorinho fraco e bem baixinho, aí ouvi um médico dizer: “está viva”. Depois, só me lembro de acordar na UTI. Passei três dias lá, sem poder ver minha filha e saber direito como ela estava e se, realmente, estava viva.
Foi aí que começou a outra parte da nossa história, a “UTI neonatal”, um mundo novo e totalmente desconhecido por nós. A primeira vez que vi a Julhinha, foi uma junção de sentimentos inexplicáveis. Tão pequena, tão magrinha, tantos fios, aparelhos, barulhos que iriam fazer parte de nossa rotina. Ela era a menor que tinha lá e a mais grave também. Estava com aqueles óculos de gases para proteger os olhos da luz e eu achava que ela tinha nascido sem olhos e não queriam me contar (nem tive coragem de perguntar).
A médica chegou e disse que ela estava começando uma luta muito grande e que seria muito importante a minha participação para alcançarmos a vitória. Passei uma semana internada, sempre indo vê-la, quando dava saudades, pois não podia ficar direto lá. A pior sensação foi ter que ir pra casa e deixá-la lá sozinha. Aí começou uma história de angústia, medos, incertezas e também de muita fé, esperança e vitória.
Com 15 dias de vida, a Julhinha teve uma infecção muito forte, que quase a levou de nós. Num dia, sai e ela estava bem, com 96o gramas; no outro, quando voltei, ela estava super inchada, com 1120 kg , nem se mexia... A auxiliar, que foi colher o sangue dela, disse que ela não teve nenhuma reação quando foi furada e que isso era não era um bom sinal. No dia seguinte, quando cheguei para visitá-la, escutei o médico dando um diagnóstico muito ruim, de um bebê praticamente desenganado mesmo, e só pedi a Deus que não fosse da Ana Julia, mas infelizmente era, e ele me disse: “Mãezinha, infelizmente não tem muito que fazer. Ela não está reagindo às medicações e a ultima cartada vai ser usar antibióticos de 4ª geração, mas não posso dizer nada... Se quiser um conselho, reze e muito, pois, enquanto há vida, há esperança”.

Senti o mundo desabando na minha cabeça, a pressão subiu de novo, mas cheguei perto da incubadora e vi minha pequena tão frágil... Foi nesse momento que senti a presença de Deus entre nós. Chorei muito na incubadora e pedi a Deus pela vida dela, e a coloquei nos braços de Nossa Senhora ,que é mãe como eu, e viu seu filho morrer na cruz e, quando segurei a mãozinha dela, ela apertou meu dedo com tanta força que tive a certeza de que ela iria vencer aquela batalha. Dois dias depois, ela já estava tão desinchada, que chegou ao seu peso real 830 gramas . Foi aí que a médica se animou e disse que, com certeza, a infecção estava sendo combatida com sucesso. Fizeram uma hemocultura e deu tudo negativo.
Depois dessa batalha vencida, surgiu um soprinho no coração, mal ela tinha vencido a infecção. Foi aí que comecei a entender aquela frase que diz que “todo prematuro é uma caixinha de surpresa”, e como é! No começo, ela não reagia com o medicamento, e ia fazer um Ecocardiograma, mas, no dia seguinte, o sopro já havia diminuído tanto, que a médica achou melhor nem locomovê-la para fazer o exame. Essa foi mais uma vitória. Já estávamos com vinte dias, e seu quadro era estável. Daí, começou mais uma grande luta. Ela não aceitava a alimentação e se alimentava com alimentação parenteral (artificial). Tomava 1 ml de 3/3 horas e deixava resíduos, não se adaptava de forma alguma com o leite. Com 24 dias, tivemos uma vitória muito importante, A Julhinha saiu do respirador e passou para o CPAP. Daí, passou a aceitar a alimentação. Começou com 1 ml e foi aumentando a cada dia. Tudo ia bem, saiu do CPAP e ficou no oxigênio circulante, mantendo bem a saturação. Foi quando os médicos pediram uma ultrasom transfontanelar de rotina e foi constatado que a Ana Julia tinha tido uma hemorragia intra-craniana e que, devido a isso, havia um entupimento nos vasos onde circula o licor, a chamada hidrocefalia, e que seria preciso fazer uma cirurgia para colocar uma válvula. Meu mundo desabou de novo... Ela já estava com Com 44 dias de vida ela fez a cirurgia, que foi um sucesso. Passou mais 17 dias internada para ganhar mais peso e passar o pós-operatório e, depois de 61 dias de internação, a Julia veio pra casa!!!!!!! Um dia mágico, 07/10/06, no dia em que ela fez 02 meses. Foi uma alegria indescritível. Fui buscá-la com minha irmã, ela estava com 1,770 kg .
Quando cheguei em casa, minha família estava toda esperando, com balão, bolo, a maior festa!!!!! Os primeiros dias foram difíceis, tinha muito medo de fazer alguma coisa errada e ela ter que voltar para o hospital, mas tudo correu muito bem. Com 3 (três) meses, começou a estimulação precoce, com fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Foi uma luta muito grande e, com 2 anos e uma semana, a Ana Julia começou a andar!! Gente, posso dizer que foi um dos dias mais felizes da minha vida, pois era o meu sonho ver minha princesa caminhando.
Com 2 (dois) anos e cinco meses (janeiro de 2009), começou a escola regular, no Infantil II e, no dia 17/03/2009, tive outro grande susto... A Ana Julia não quis acordar... Tudo que comia, colocava pra fora. Foi então que liguei para o seu neurocirurgião, Doutor Rodrigo Lopes, e este mandou que eu me dirigisse ao hospital com ela. O pior aconteceu: a válvula tinha parado de funcionar... Aí meu Deus, não gosto nem de lembrar aquelas horas seguintes... Avisar a família, amigos, preparação para cirurgia... Mais uma vez, a Ana Julia mostrou o quanto é guerreira. Depois de 2 dias, estávamos em casa e tudo voltou ao normal. A professora dela ia visitá-la em casa e logo ela voltou à escola. No fim do ano letivo, tive a agradável surpresa de receber o resultado anual e saber que ela foi uma das crianças que mais se desenvolveram. Fala tudo e tem uma pronúncia que impressiona a muita gente. Adora cantar, colorir, fazer colagem, ou seja, tudo que uma criança da sua idade gosta de fazer.
Posso dizer que ela é o centro das atenções da nossa família e de alguns amigos. Não dá pra medir o tanto que eu amo minha filha, ela é tudo! Vivo por ela e pra ela e peço a Deus, todos os dias, por sua saúde e pela de todos os prematuros e hidrocefálicos do mundo.

A Ana Julia é filha de nossa amiga Fernanda





